segunda-feira, 21 de março de 2016

A IMORTALIDADE E O DIA A DIA

Milan Kundera é o máximo, ele não só escreveu um dos romances mais célebres do nosso Século, A Insustentável Leveza do Ser, como também nos presenteou, em 1980, com um belíssimo romance atemporal que, seguramente, falava de um tema que o inquietava: A Imortalidade.

Quando comecei a ler esse Romance, imaginei que seria algo com “quero ser imortal e não morrer”, mas como me sinto estúpida por não ter percebido que ele, um gênio que é, não iria retratar um tema tão superficial. 

A questão do livro é um assunto extremamente pertinente, que me fez e me faz pensar desde que li o livro: O que você quer deixar de lembrança quando se for. De que maneira você quer ser lembrado pelas pessoas ao seu redor.

O quanto e como você deseja ser lembrado. Esse é o tema do livro. É sobre o tipo de imortalidade que faz muitas pessoas quererem inventar fórmulas, escreverem livros, atuarem em filmes, criarem vacinas, terem filhos, fazerem parte de grupos, ONGs; enfim, se sentirem amadas, importantes e inesquecíveis para um determinado grupo de pessoas.

Essa, sem dúvida nenhuma, é a maior prova de que o ser humano é um ser que precisa viver em sociedade, mas também é a prova de que ele é egoísta até na hora de pensar na morte e sua extensão (risos). Pois, se pensarmos no que queremos ser, podemos chegar à conclusão de que nossa vida terrena não acaba com a morte, ela pode perpetuar com nossas ações e nossos feitos. Então, quando pensamos em Einstein até hoje, estamos pensando em uma ação que ele perpetuou, entretanto, essa ação perpetuou não somente seu invento, perpetuou também seu nome na história da Humanidade. Isso é Imortalidade na visão de Milan Kundera.


De uma maneira simplista, não querendo ser Einstein, podemos pensar em maneiras de sermos perpetuados para nossos entes queridos, nossos amigos, nossa família e filhos. Minhas tias e minha mãe sempre falam da avó delas como uma pessoa rabugenta que falava mal dos outros e nunca estava contente, ela aprontava para toda a família com comentários inapropriados e depois sentava na sua cadeira de balanço costurando e repetindo: “eu não encrenco com ninguém”. Já minha avó, a nora dela, é lembrada por todo o grupo da igreja e por toda a família como “A conciliadora”, a pessoa que sempre buscava resolver os problemas dos outros falando palavras corteses e lembrando que o amor é o sentimento mais importante do Mundo.

Esses são somente dois exemplos de como as pessoas ao meu redor se tornaram Imortais, cada uma com as suas características. Isso me faz pensar COMO EU quero me tornar Imortal. E para eu SER IMORTAL amanhã, eu preciso me portar hoje, são as minhas decisões no dia a dia com as pessoas que estão a minha volta que farão com que elas lembrem de mim de uma maneira positiva ou não.

Você já parou para pensar nisso? Na maneira com que VOCÊ será IMORTAL? Na maneira com que você será lembrada um dia? Se não parou para pensar, essa é uma bela reflexão para, inclusive, modificar suas atitudes hoje, fazer com que você repense maneiras de agir, de se portar, se falar com as pessoas. Talvez até mesmo mudar de grupo de amigos ou deixar aquela vizinha fofoqueira falar sozinha. Deixar de reclamar quando o empacotador do supermercado embrulha produtos junto. Agradecer ao porteiro por abrir o portão todos os dias. Reativar antigas amizades que lhe fazia trocar informações e lhe fazia querer crescer e ser mais. Passar mais tempo conversando com seus netos e filhos, passando um pouco do que você sabe de maneira agradável.

Passar mais tempo com quem você ama e fazer as coisas com amor. Deixando sempre o amor falar mais alto. Pense. Haja. A vida é só uma, mas lembre-se: a Imortalidade é para sempre.

Autora: Jorgete Rain
Imagens: Google


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